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A esquizofrenia do Gonçalo

A esquizofrenia do Gonçalo

29
Set20

A morte e a solidão!

Glventura

O meu Pai teve um acidente de automóvel, teve um AVC, e despistou-se na estrada, está internado no hospital, sem mexer uma perna e com um discurso muito débil. Veio viver com a minha irmã há coisa de um mês para não estar sozinho. E com isto a minha paranoia atacou. Tenho dias que passo o tempo todo a pensar em morte e solidão, no momento em que deixamos de respirar e morremos. Enquanto esperava na sala de espera das urgências do hospital em que ele ficou internado, observava as várias pessoas que davam entrada, uns sozinhos outros com familiares e retratava-me, "e quando for eu?". A solidão assola-me e penso muito quando ficar sozinho orfão de Pai e Mãe!

Não tenho familia para além da minha Irmã, cunhado e sobrinhos, e encaro que quando chegar a minha vez de estar no leito da morte terei que enfrenta-lo sozinho!

A Minha mãe fuma muito e tem historial cardíaco e isso preocupa-me bastante, não tenho o direito de a predestinar à morte, mas não consigo evitar a paranoia de estar sempre a contar-lhe os dias e a fazer cenários da sua morte. O meu pai deixou de fumar aos 40 anos, e agora com 68 anos apareceu-lhe um AVC e suspeitas de Alzheimer! Coitado, parece que sabe o que eu sinto! Dias antes deste acidente ele próprio me disse, "tens que aprender a estar sozinho, qualquer dia ficas sem Pai e Mãe, nós partimos!", e é esta questão que não consigo ultrapassar! Já ouvi testemunhos que as pessoas arranjam razões para seguir com a vida para a frente, encontrando forças, mas como farei eu? Com as questões de não trabalhar, de ficar aqui sozinho com as minhas paranoias que por vezes são tão intensas que me dão ataques de ansiedade!

As correntes de pensamentos repetitivos são tão frequentes que me levam depois a pensar no meu próprio fim, que um dia há-de chegar, depois de passar os meus tempos nesta terra em solidão, sem amigos, sem filhos e família, doente sem trabalho e com dificuldades financeiras, incapacitado de conseguir construir para mim, terei que enfrentar o medo supremo de deixar de existir!

A morte, pensar que existirá algo depois é para mim ilógico, rejeito, e vejo as tentativas de expor um pós vida como uma resposta óbvia ao medo de deixar de existir, de ficar sem respiração e entrarmos em potrefacção! Ás vezes tento idealizar e leio algumas coisas sobre o assunto, o olhar budista já que o cristão de céu e inferno não me é tão apelativo! Mas depressa rejeito e agarro-me ao medo e à paranoia que persiste em mim! Como se que desse coiçes desesperados a tentar lutar para continuar a viver, é assim que encaro a morte!

Abençoados são aqueles que desistem e deixam-se ir, sofrem menos! Uma morte consciente é uma morte dolorosa! Bem, penso que ja me ajudou um pouco desabafar sobre este assunto, vou dar como terminado este post! Obrigado mais uma vez por estarem desse lado e por lerem estes meus desabafos! Gonçalo.

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